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100 graus na mesa para a caixa de tomada em ASA

A tampa de PETG abaulou depois de três meses no quintal. A versão nova saiu em ASA, com a impressora fechada e os cantos presos na mesa.

Caixa de tomada impressa em ASA cinza, presa num muro de quintal ao sol.

A caixa de tomada nova presa no muro

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No quintal, a frase saiu com toda a segurança: “PETG aguenta sol, é o plástico da garrafa de refrigerante.” Aguentou três meses. A tampa da caixa de tomada voltou para a bancada abaulada, desbotada e com uma trinca na dobradiça.

A caixa protegia a tomada da bomba da piscina, presa no muro e virada para o poente. Tinha sido impressa na Ender 3 V2 em PETG preto, com uma junta de borracha impressa por baixo da tampa para segurar a chuva.

Nas primeiras semanas, tudo certo. A tampa fechava com um clique e a água escorria pela aba de cima. Lá pelo segundo mês, a tampa já pedia um empurrão para encaixar.

O aviso veio numa tarde de chuva forte. O disjuntor da bomba desarmou, e quem abriu a caixa encontrou água empoçada no fundo e os pinos da tomada com uma crosta verde de oxidação.

A tampa tinha subido no centro. Apoiada numa mesa lisa, balançava como um prato raso, e a junta de borracha não encostava mais na borda da base. A chuva entrava pela fresta e escorria direto para a tomada.

Reimprimir a mesma tampa em PETG mais grosso só adiaria a mesma cena. O sol batia na peça preta todas as tardes, e o plástico amolecia um pouco a cada dia quente, cedendo devagar ao aperto dos parafusos.

A versão nova saiu em ASA (sigla de acrilonitrila estireno acrilato, o plástico usado em retrovisor e grade de carro). Ele aguenta mais calor antes de amolecer e foi feito para morar ao ar livre.

O preço veio na impressão. O ASA encolhe forte ao esfriar, e a primeira tentativa levantou um canto da base em plena impressão. Só deu certo com a mesa a 100 graus e a Ender 3 V2 fechada dentro de uma estufa de tecido.

O Projeto da Semana abre a caixa peça por peça: o que o sol fez com cada parte da versão em PETG e o que mudou no desenho novo.

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I  Projeto da Semana

A tampa abaulou no muro do poente

A caixa de tomada do quintal tem duas peças e uma junta. A base, de 110 por 75 milímetros, vai parafusada no muro. A tampa gira num pino de aço na parte de cima, e a junta de TPU (o filamento flexível, com toque de borracha) fica encaixada num canal por baixo dela.

O que três meses de sol fizeram

O termômetro infravermelho da oficina marcou 64 graus na tampa preta às três da tarde, num dia de 31 graus na sombra. O PETG começa a amolecer perto dos 80, então a tampa não derreteu. Ela cedeu aos poucos, tarde após tarde.

Os dois parafusos da frente puxavam as pontas para baixo, e o centro, sem nada que o segurasse, subiu. Com um paquímetro (o instrumento de bico que mede espessura e folga), o empeno deu 2,4 milímetros no meio da tampa.

A dobradiça trincou pelo mesmo motivo. Cada abertura forçava o plástico já torto, e a trinca nasceu na linha entre duas camadas, o ponto onde a peça impressa é mais fraca.

A cor também foi embora. O preto virou um cinza fosco, e a superfície soltava um pó claro ao passar o dedo. O sol quebra o PETG na casca, e a peça perde o brilho antes de perder a forma.

O que mudou no desenho

A tampa nova ganhou duas nervuras por dentro, em cruz, com 3 milímetros de altura. Elas seguram o centro reto e repartem o aperto dos parafusos pela peça inteira.

A aba de cima cresceu de 6 para 12 milímetros e ganhou uma pingadeira, um pequeno degrau por baixo da borda. A água que escorre pela tampa pinga ali e não corre para dentro da junta.

A tampa nova fecha por pressão da borda inteira, e a junta de TPU trabalha só como vedação, sem carregar peso.

Os parafusos de aço comum trocaram por quatro de inox. Os antigos tinham deixado escorridos de ferrugem no muro, e a ferrugem também corroía a rosca dentro do plástico.

O que restou da versão antiga

A base em PETG ficou na sombra da própria tampa e saiu inteira, só um pouco desbotada nas laterais. Ela não voltou para o muro: o encaixe da tampa nova pede o canal mais fundo da base em ASA.

 
 

II  Configurações Recomendadas

Mesa a 100 graus e porta fechada

Imprima o ASA a 250 graus no bico e 100 graus na mesa, com a impressora fechada e uma aba de 8 milímetros em volta da base: sem calor por todos os lados, os cantos sobem antes da décima camada.

O ASA encolhe mais que o PETG quando esfria. A camada de baixo, colada na mesa quente, fica parada; as camadas de cima esfriam no ar e puxam a peça para dentro, como uma lona secando ao sol.

A primeira tentativa

A primeira base em ASA saiu com a Ender 3 V2 aberta, numa garagem com o portão erguido. Na camada 40, o canto esquerdo da frente descolou 3 milímetros da mesa. Mais acima, as paredes racharam na horizontal, com as camadas separadas por uma fresta fina.

Essa rachadura tem nome no ofício: delaminação, as camadas que deixam de grudar umas nas outras. Ela aparece quando a camada nova chega quente sobre uma camada já fria, e o ar corrente da garagem esfriava a peça pelos lados.

Por que fechar a impressora

A estufa de tecido, uma capa de náilon com armação de canos, guarda o calor que sobe da mesa. Depois de 20 minutos de mesa a 100 graus, o termômetro dentro da estufa marcou 44 graus no ar. A peça inteira esfria devagar e por igual.

A ventoinha da peça fica desligada nas primeiras camadas e sobe só até 10% no resto da impressão. O vento frio sobre o ASA é o caminho mais curto para a rachadura.

O ASA solta cheiro de estireno ao derreter, um cheiro doce e forte de plástico quente. A impressora ficou num cômodo com janela aberta e porta fechada, longe do quarto e da cozinha.

Os passos

1. Ligue a mesa a 100 graus com a estufa fechada e espere 20 minutos antes de imprimir.

2. Limpe o vidro com álcool isopropílico e passe uma camada fina de cola bastão.

3. Fatie a base deitada, com uma aba de 8 milímetros em volta (o brim, a saia de plástico que segura os cantos).

4. Bico a 250 graus, camada de 0,2 milímetro e velocidade de 40 milímetros por segundo.

5. Ventoinha desligada até a camada 3 e no máximo 10% daí em diante.

6. Ao terminar, deixe a peça esfriar dentro da estufa fechada por 30 minutos.

Por que esperar a peça esfriar lá dentro

Tirar a peça quente para o ar da sala repete o choque da garagem no último minuto. A base de teste que saiu da estufa ainda morna empenou 1 milímetro na mesa da bancada. A que esfriou lá dentro saiu reta.

 

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III  Análise de Margem

65 reais contra uma tomada oxidada

Os valores usam ASA a 140 reais o quilo, PETG a 120 reais o quilo e TPU a 150 reais o quilo. Cada hora de máquina custou 4,60 reais com o ASA, porque a mesa a 100 graus gasta mais luz, e 4 reais com o PETG.

• Caixa em ASA: 65,10 reais

• Tentativa perdida: 19,90 reais

• Caixa em PETG: 48,50 reais

• Tomada trocada: 18 reais

• Vida da versão em PETG: 3 meses

O preço da caixa em ASA

Foram 180 gramas de ASA, 25,20 reais, e 7 horas de máquina, 32,20 reais. A junta de TPU levou 10 gramas, 1,50 real, e os quatro parafusos de inox custaram 6,20 reais. A caixa pronta saiu por 65,10 reais.

A tentativa da garagem também pesa no preço da caixa nova. Foram 60 gramas de ASA no lixo, 8,40 reais, e 2 horas e meia de máquina, 11,50 reais. Com ela, a caixa em ASA custou 85 reais no total.

O preço da versão em PETG

A caixa em PETG gastou 175 gramas, 21 reais, e 6 horas de máquina, 24 reais. Com a junta e dois parafusos comuns, saiu por 48,50 reais. Durou três meses e levou junto a tomada da bomba, trocada por 18 reais.

Somado o estrago, a versão barata custou 66,50 reais em três meses. Uma segunda caixa em PETG no próximo verão levaria o gasto para perto de 133 reais, e a tomada voltaria a correr risco.

Quando o PETG ainda serve fora de casa

Peça na sombra, sem aperto de parafuso e em cor clara, como um suporte de mangueira debaixo do telhado, segue bem em PETG. O calor da tampa preta virada para o poente pesou mais que o material sozinho.

“Quantas peças impressas moram a céu aberto na sua casa?”

Hoje: aponte um termômetro, ou encoste a mão, em uma peça impressa que fica no sol às três da tarde e anote a cor e o lado do muro, uma linha só. Até amanhã, meça o empeno dela numa mesa lisa com o paquímetro.

 
 
Quiz da edição

Pra imprimir a base nova em ASA sem os cantos subirem, a que temperatura ficou a mesa da Ender 3 V2?

A60 graus
B80 graus
C100 graus
D120 graus

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