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As 3 roldanas do eixo X folgaram depois de 600 horas

Um degrau de 0,2 mm na lateral de 5 peças, meia volta na porca excêntrica e 20 peças seguintes sem marca.

Carro do eixo X de uma Ender 3 V2 com as três roldanas de POM no trilho.

As roldanas de POM no trilho do eixo X

▼
 

A oficina disse “é o filamento, troca o rolo” diante do primeiro suporte com degrau, e o rolo novo não mudou nada.

Os 5 suportes de prateleira seguintes saíram com a mesma marca: um degrau de 0,2 milímetro na lateral, sempre na mesma altura, como se a parede escorregasse um fio para o lado e voltasse logo acima. Eram peças iguais, de 60 milímetros de altura, encomendadas por um cliente para uma estante de madeira.

A impressora era uma Ender 3 V2 com 600 horas no contador, a máquina mais rodada da oficina. O rolo novo, do mesmo PLA (o plástico de amido de milho, o mais comum nas impressoras caseiras), repetiu o defeito no terceiro suporte.

O degrau aparecia só nas faces paralelas ao eixo X, o trilho horizontal onde o bico corre da esquerda para a direita. Nas faces viradas para a frente, a parede saía lisa.

Com a impressora desligada, a oficina segurou o carro do bico (a placa de metal que leva o bico pelo trilho) com dois dedos e balançou. O carro mexeu. Pouco, mas mexeu, com um estalo seco a cada vai e vem.

Esse carro corre no trilho apoiado em 3 roldanas de POM, o poliacetal, um plástico duro e liso usado em engrenagem de eletrodoméstico. Duas ficam em cima do trilho e uma embaixo.

A de baixo gira num eixo preso a uma porca excêntrica, uma porca com o furo fora do centro, que aproxima ou afasta a roldana do trilho conforme gira.

Em 600 horas, as 3 roldanas gastaram a borda que encosta no alumínio. A folga somada chegou perto de 2 décimos, e o bico ganhou esse espaço para dançar a cada troca de direção.

A correção levou 15 minutos e uma chave de boca de 10 milímetros: meia volta na porca excêntrica, até o carro parar de balançar sem travar no trilho.

As 20 peças seguintes saíram sem marca. As 5 com degrau foram para o balde de reciclagem.

O Projeto da Semana mostra como a oficina achou a folga e por que o degrau caía sempre na mesma altura.

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I  Projeto da Semana

O degrau aos 38 milímetros

Os suportes eram cantoneiras em L, fatiadas no Cura 5 com camada de 0,2 milímetro, bico de 0,4 e velocidade de 60 milímetros por segundo. Cada um pesava 45 gramas e levava 2 horas e 30 minutos de máquina.

Nos 5 com defeito, o degrau caía aos 38 milímetros de altura, medido com paquímetro, o instrumento de bico que lê décimos de milímetro. Abaixo dele a parede estava alinhada; acima, deslocada 0,2 para a esquerda, até os 42 milímetros, onde voltava ao lugar.

Antes de mexer nas roldanas, a oficina descartou o resto, um suspeito por vez.

O que não era

O filamento caiu primeiro: o rolo novo repetiu o degrau. A correia do eixo X veio depois, apertada com o dedo, firme e sem dente pulado. O bico, trocado por um novo de 0,4, também não mudou a marca no suporte seguinte.

Com os três descartados, sobrou a mecânica do carro. O teste dos dois dedos mostrou o balanço e o estalo.

Por que sempre aos 38

Aos 38 milímetros, o desenho do suporte ganhava um recorte de encaixe para o parafuso da prateleira. A parede reta virava um contorno com 6 cantos em poucos centímetros, e o bico passava a trocar de direção a cada poucos milímetros.

A cada troca, o motor puxava o carro para um lado, e a folga deixava o carro escorregar até encostar no outro extremo das roldanas gastas. Em parede reta, o bico ia e voltava sempre no mesmo trilho e a folga ficava parada. No recorte, ela aparecia em todas as camadas.

Aos 42 milímetros, o recorte acabava, a parede voltava a ser reta, e o degrau sumia junto.

A folga não aparece em parede reta: ela espera o primeiro canto para empurrar o bico.

As roldanas na mão

Desmontadas, as 3 roldanas mostraram uma faixa brilhante na borda em V, o perfil que encaixa no canal do trilho. Na de baixo, a faixa tinha um leve achatado, onde a roldana passou mais tempo parada encostada no alumínio.

Nenhuma tinha trinca nem lasca. O desgaste estava todo na borda, distribuído, e a porca excêntrica ainda tinha curso de sobra para compensar.

A oficina remontou as mesmas 3 roldanas, sem trocar peça.

A prova no suporte seguinte

Depois da meia volta, o mesmo arquivo foi impresso de novo, sem mudar nada no fatiador. O paquímetro correu a lateral inteira, de 0 a 60 milímetros, e a leitura não variou um décimo.

O cliente recebeu os 20 suportes completos dois dias depois do pedido, com as paredes alinhadas no recorte de encaixe.

 
 

II  Configurações Recomendadas

Meia volta na porca de baixo

Roldana boa gira com o dedo e não deixa o carro balançar: o ajuste certo mora entre o carro solto e a roldana travada, e a porca excêntrica é quem escolhe o ponto.

Os passos valem para a Ender 3 V2 e para as impressoras com carro de roldanas em trilho de alumínio, com o nome original em inglês entre parênteses para quem usa o Cura sem tradução.

Na impressora

1. Desligue a impressora da tomada e espere o bico esfriar abaixo de 50 graus.

2. Leve o carro do eixo X com a mão até o meio do trilho, onde o alumínio tem menos desgaste das pontas.

3. Ache a roldana de baixo, a única com uma porca de 10 milímetros por trás da placa, e encaixe a chave de boca nela.

4. Gire a porca um oitavo de volta no sentido que aproxima a roldana do trilho, e balance o carro com dois dedos.

5. Repita o oitavo de volta até o carro parar de estalar. Na Ender 3 V2 da oficina, foram 4 oitavos, meia volta.

6. Gire cada roldana com a ponta do dedo. Ela tem que rolar com uma resistência leve, sem patinar no trilho.

Se apertar demais

Porca apertada além do ponto deixa a roldana travada no alumínio. O motor arrasta a roldana parada, a borda achata em poucas horas e a folga volta pior.

O sinal é a roldana que não gira com o dedo, ou o carro que pede força para correr de ponta a ponta. Nesse caso, um oitavo de volta para trás resolve.

No Cura

7. Em Habilitar Controle de Aceleração (Enable Acceleration Control), marque a caixa e digite 500 em Aceleração de Impressão (Print Acceleration). Com menos tranco nas trocas de direção, o carro sofre menos a cada canto.

8. Em Velocidade da Parede Externa (Outer Wall Speed), digite 30. A face visível sai mais devagar e esconde qualquer folga residual.

Nos outros eixos

A mesa da Ender 3 V2, no eixo Y, corre em 4 roldanas e tem 2 porcas excêntricas. O eixo Z, o que sobe o bico, tem mais 2 porcas, uma de cada lado do pórtico (a armação em U que segura o eixo X).

A oficina passou o mesmo teste dos dois dedos na mesa e no pórtico no mesmo dia. A mesa estava firme; o lado esquerdo do pórtico pediu um oitavo de volta.

 

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III  Análise de Margem

Os 66 reais do balde de reciclagem

As contas usam a hora de impressora a 3,50 reais, juntando energia e desgaste de bico e correia, e o PLA a 100 reais o rolo de um quilo.

• Peso do suporte: 45 gramas

• Plástico: 4,50 reais

• Máquina: 8,75 reais

• Total por suporte: 13,25 reais

O prejuízo do degrau

Os 5 suportes com marca somaram 66,25 reais de produção e 12 horas e 30 minutos de máquina. Nenhum deles serviu ao cliente: o degrau caía bem no recorte de encaixe, e a prateleira ficaria torta.

O rolo novo aberto para testar o filamento não foi perdido; seguiu na fila de impressão. O bico trocado, de 15 reais, ficou guardado como reserva.

O custo da correção

A meia volta não gastou peça nenhuma. Foram 15 minutos de oficina com uma chave de boca que já estava na gaveta.

Um jogo novo de 3 roldanas de POM, na loja online onde a oficina compra peças, sai a 36 reais. Não foi preciso comprar: as roldanas gastas ainda tinham borda para mais horas.

A encomenda inteira

O cliente pagou 25 reais por suporte, 500 reais pelos 20. Os 20 bons custaram 265 reais de produção, e o lote perdido somou mais 66,25.

Tirados os 331,25 da conta, ficaram 168,75 de margem. Sem o degrau, a mesma encomenda teria rendido 235.

A regra da oficina

Toda impressora da oficina passa pelo teste dos dois dedos a cada 200 horas no contador, nos três eixos. O teste leva 2 minutos e não gasta plástico.

A Ender 3 V2 rodou 600 horas sem o teste, e o primeiro aviso veio como sucata. Agora o contador de horas fica anotado numa etiqueta colada no pórtico, com a data do último ajuste.

“Quantas horas a sua impressora rodou desde o último ajuste nas roldanas?”

Hoje: com a impressora desligada, balance o carro do eixo X com dois dedos por 10 segundos e anote se ele estala. Se estalar, dê um oitavo de volta na porca excêntrica antes da próxima impressão e repita o teste.

 
 
Quiz da edição

No suporte com defeito, a que altura da peça (medida com paquímetro) aparecia o degrau de 0,2 milímetro na parede?

A20 milímetros
B42 milímetros
C60 milímetros
D38 milímetros

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