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As doze retomadas depois da queda de luz
Uma peça de 9 horas parada aos 40 por cento: quantas fecharam sem linha visível e quantas foram pra caixa de refugo.
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Camada de retomada visível contra a luz
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"A impressora retoma sozinha, é só ligar de novo." Foi a frase que jogou no lixo um capacete de cosplay com 3h40 de máquina já rodadas: a placa voltou, o bico desceu ainda frio, arrastou a peça meio milímetro no eixo Y e soldou uma camada torta bem no meio da parede lateral. A função de retomada existe na placa da máquina quase toda, e ela entrega peça vendável só quando a bancada prepara o retorno.
Queda de luz na oficina não avisa. O relé do poste desarma numa tarde de vento, e o nobreak de 600 VA aguenta o computador mas não aguenta uma mesa aquecida de 220 watts. Quem imprime pra vender convive com o corte de energia como convive com filamento úmido: acontece, e o prejuízo depende do que a bancada faz nos dez minutos seguintes.
Existem dois caminhos pra retomar uma impressão cortada no meio. O primeiro mora na placa: a função de recuperação grava a altura Z e a posição do arquivo num arquivo pequeno no cartão a cada camada, e no religamento oferece continuar. O segundo mora no arquivo: a bancada abre o gcode num editor de texto, apaga tudo até a camada em que a peça parou, cola um cabeçalho de aquecimento e de posicionamento, e manda o pedaço restante como se fosse uma impressão nova.
Os dois caminhos brigam com a mesma física. A camada que ficou na mesa esfriou até a temperatura da sala e encolheu, e a nova precisa soldar em plástico frio: a adesão depende do calor que a camada de baixo ainda guarda, e o apagão rouba justamente esse calor.
A bancada montou o caso com um dado concreto: um suporte de monitor em PLA, 9h04 de máquina no fatiador, 268 gramas, impresso doze vezes com a energia cortada de propósito no disjuntor sempre na mesma altura, 40 por cento do arquivo, 3h38 de máquina já feitas. Seis retomadas pela função da placa e seis pelo corte manual do gcode, todas com a mesma bobina e o mesmo perfil.
O que vem a seguir são as doze peças na ordem em que saíram da mesa, quantas fecharam sem linha visível contra a luz, quantas mostraram degrau na parede e quantas o dedo conseguiu quebrar na junta.
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I Projeto da Semana
Doze retomadas na altura de 40 por cento
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Sete das doze fecharam sem linha visível contra a luz. Cinco foram pra caixa de refugo, e três dessas cinco quebraram na junta com a mão, sem ferramenta.
A peça de prova foi um suporte de monitor de 210 por 96 por 118 milímetros, parede de 1,2, camada de 0,2, 20 por cento de giroide, bico de 0,4 a 210 graus e mesa a 60, com 9h04 no fatiador e 268 gramas de PLA da mesma bobina nas doze rodadas. A energia caiu sempre no mesmo ponto, a camada 227 de 568, com o cronômetro marcando 3h38.
Nas seis retomadas pela função da placa, o tempo entre a queda e o religamento variou de propósito. Duas voltaram em 2 minutos, duas em 20 minutos e duas em 3 horas, com a peça já na temperatura da sala, 24 graus medidos no termômetro da bancada.
As duas de 2 minutos fecharam limpas. A parede ficou com uma marca de brilho na altura da junta, visível só com a peça inclinada contra a janela, e o dedo não achou degrau ao passar. As duas de 20 minutos fecharam com degrau de 0,15 milímetro medido no paquímetro digital, sensível ao toque e visível a meio metro.
As duas de 3 horas foram as piores do lote. A placa retomou o Z certo, mas a peça tinha encolhido na mesa fria: uma soltou da chapa quando o bico encostou e virou espaguete, e a outra imprimiu deslocada 0,4 milímetro no eixo Y, com a parede saindo em duas metades desalinhadas.
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A qualidade da união entre camadas depende da temperatura da camada previamente depositada no momento em que o novo filamento é aplicado sobre ela, e a queda dessa temperatura reduz a difusão das cadeias poliméricas na interface.
Ian Gibson, David Rosen e Brent Stucker, Additive Manufacturing Technologies, 2015
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Nas seis retomadas pelo corte manual do gcode, o resultado inverteu. Cinco fecharam sem linha visível, incluindo as duas que passaram 3 horas paradas, porque o cabeçalho colado à mão manda a mesa subir pros 60 graus e esperar antes de qualquer movimento.
A única reprovada do corte manual foi a rodada em que a camada de retomada foi escolhida errada, uma camada acima do ponto real de parada. O bico atravessou o vão sem material embaixo, cuspiu fio solto por 40 segundos e a peça fechou com uma falha oca de 3 milímetros que a lanterna do celular mostra de longe.
O teste de quebra foi feito com a peça presa na morsa e um puxão de mão na aba superior. As três de junta fria quebraram na camada da retomada, com fratura lisa e branca. As sete aprovadas não cederam com a força da mão.
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II Configurações Recomendadas
O corte do gcode que a placa não faz
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A função da placa serve pra queda curta, de poucos minutos com a mesa ainda quente; a partir de 20 minutos de peça fria, o caminho que salva a impressão é abrir o gcode e cortar à mão. Quinze minutos de bancada num arquivo de texto valem 5 horas de máquina que já estavam pagas.
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O primeiro passo é não desligar nada e não tirar a peça da mesa. Peça descolada não volta, e qualquer toque na chapa muda o zero da máquina em relação ao que já está impresso.
O segundo é achar a altura exata da parada. Muitas placas mostram a camada do corte no visor, e quando não mostram, o paquímetro digital encostado na peça entrega a altura em milímetros com precisão suficiente pra dividir por 0,2.
Cinco passos do corte manual que fecha limpo
Primeiro, meça a altura da peça parada com o paquímetro apoiado na chapa e desconte a espessura da primeira camada. Uma medida de 45,4 milímetros com camada de 0,2 aponta a camada 227.
Segundo, abra o gcode num editor de texto simples e procure a marcação de camada que o fatiador escreve, a linha de comentário com o número. Apague tudo entre o cabeçalho original e a camada anterior à parada, uma camada abaixo do medido, nunca acima.
Terceiro, cole um cabeçalho novo com aquecimento de mesa, aquecimento de bico, referência dos eixos X e Y sem tocar no Z, e um comando que declara a altura atual como sendo a da camada escolhida. A referência do Z é o erro que arranca a peça da mesa.
Quarto, deixe a mesa aquecida por 12 minutos antes de liberar o movimento. A chapa quente devolve dilatação à peça fria, e a camada nova encontra plástico dilatado em vez de plástico encolhido, que é o que fecha a junta sem degrau.
Quinto, suba a temperatura do bico em 10 graus só na primeira camada da retomada. Mais calor na interface compensa o que a camada de baixo perdeu, e o excesso some nas camadas seguintes com o perfil normal.
Uma armadilha comum é confiar no nobreak do computador pra segurar a impressora. Uma mesa aquecida de 220 milímetros puxa entre 180 e 250 watts sozinha, e um nobreak de 600 VA desarma em segundos com esse consumo somado ao resto da bancada.
Outra armadilha aparece no cartão de memória. A função de recuperação escreve no cartão a cada camada, e cartão barato de 8 gigas corrompe o arquivo de retomada justamente na hora em que ele é necessário: das seis rodadas pela placa, uma quase falhou por leitura ruim, resolvida com um cartão novo de marca conhecida.
Configuração fechada da retomada aprovada: recuperação da placa ligada, cartão de 32 gigas classe 10, corte manual do gcode a partir de 20 minutos de peça fria, mesa a 60 graus por 12 minutos antes do movimento, bico a 220 na primeira camada da retomada e 210 nas seguintes, camada de corte uma abaixo da medida no paquímetro.
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