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As faixas de 2 milímetros que vinham da barra do eixo Z

Trinta faixas iguais num cilindro de 60 milímetros. O paquímetro achou o passo da barra, e um acoplador novo alisou a parede.

Cilindro de PLA com faixas horizontais regulares ao lado do reteste com a parede lisa e de um paquímetro.

O cilindro com faixas ao lado do reteste liso

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“É o filamento úmido.” Foi a frase que mandou um rolo de PLA (o plástico de amido de milho, o mais comum na impressão caseira) para o secador por quatro horas, e as faixas continuaram na mesma altura.

O cilindro era um teste de 20 milímetros de diâmetro e 60 de altura, impresso em modo vaso (parede única que sobe em espiral, sem tampa e sem preenchimento). Contra a luz da janela, a parede mostrava listras horizontais: uma saliência fina, um vale, outra saliência, sempre na mesma distância.

O filamento seco voltou à máquina e o cilindro saiu igual. A temperatura do bico baixou 10 graus, de 210 para 200, e as listras ficaram. A velocidade caiu pela metade, a peça levou o dobro do tempo, e as listras continuaram ali.

Três mudanças, três cilindros, nenhuma diferença. Filamento, temperatura e velocidade mexem no bico, e a falha aparecia igual em qualquer combinação deles. A causa tinha que estar em outra peça da máquina.

Veio então o paquímetro (a régua de bico que mede em centésimos de milímetro). Encostado na parede do cilindro, ele contou 30 faixas nos 60 milímetros de altura. A conta dá uma faixa a cada 2 milímetros, do pé ao topo.

Uma falha que se repete numa distância fixa vem de uma peça que gira e volta à mesma posição a cada ciclo. Na impressora da oficina, uma Prusa i3 montada de kit, a peça que sobe o bico 2 milímetros por volta é a barra roscada do eixo Z, o eixo vertical.

A barra estava reta. O defeito morava no acoplador, a luva de alumínio que liga o motor à barra, rachado num dos cortes em espiral. Com a luva trocada, o reteste saiu com a parede lisa.

A medição completa, do paquímetro à volta do motor, abre o Projeto da Semana, junto com o motivo de a luva rachada desenhar uma faixa por volta.

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I  Projeto da Semana

O paquímetro que achou a barra

Faixas regulares na parede de uma peça têm nome no hobby: Z banding (faixas do eixo Z, em inglês). Elas aparecem como anéis horizontais que se repetem na mesma distância, visíveis contra a luz e sentidas com a unha.

Como medir o intervalo

Medir uma faixa só engana, porque a borda de cada anel é difícil de achar. O jeito seguro é medir um trecho longo e dividir. No cilindro de 60 milímetros, o paquímetro pegou do primeiro vale ao trigésimo primeiro: 60,1 milímetros para 30 intervalos, ou 2,003 milímetros por faixa.

A camada da impressão era de 0,2 milímetro, e cada faixa juntava 10 camadas. Falha de bico ou de filamento varia camada a camada, sem esse ritmo fixo de 10 em 10.

A peça que gira a cada 2 milímetros

A barra do eixo Z dessa Prusa de kit é uma Tr8x2: trapezoidal (rosca de perfil achatado, em forma de trapézio), com 8 milímetros de diâmetro e avanço de 2 milímetros por volta. Cada volta completa do motor sobe o bico 2 milímetros.

O intervalo das faixas bate com o avanço da barra. Qualquer peça presa nela, girando junto, repete o defeito a cada 2 milímetros de altura: o acoplador, a ponta do motor, a própria barra ou a porca de latão que corre na rosca.

Faixa que repete na distância exata do avanço da barra aponta para o conjunto que gira no eixo Z.

O culpado na mão

Com a máquina desligada, a barra foi girada à mão, devagar, com o olho no topo dela. A ponta solta, lá em cima, desenhava um pequeno círculo a cada volta. Barra torta balança desde o meio; ali o balanço nascia no pé, junto ao motor.

O acoplador era do tipo flexível de alumínio, com cortes em espiral que absorvem pequeno desalinhamento. Um dos cortes tinha uma trinca que atravessava a parede da luva. A cada volta, a trinca abria e fechava, e a barra empurrava o carro do bico alguns centésimos para o lado.

Esse empurrão lateral, repetido a cada volta, apertava a parede da peça numa altura e soltava na seguinte. Daí o vale e a saliência alternados, presos ao passo de 2 milímetros.

 
 

II  Configurações Recomendadas

Acoplador novo e porca solta

Acoplador flexível de alumínio de 5 para 8 milímetros, barra encostada no eixo do motor, porca de latão com folga no suporte e graxa branca de lítio na rosca: cilindro de 60 milímetros com a parede lisa contra a luz.

O acoplador novo custou 15 reais e tem um furo de 5 milímetros (o eixo do motor) e outro de 8 (a barra). Os dois furos precisam ser concêntricos (alinhados no mesmo centro): luva barata com furo torto repete a falha da luva trincada.

A porca de latão também entra na conta. Presa com força no suporte do carro, ela obriga a barra a seguir qualquer desvio da guia. Com uma folga pequena no furo do suporte, a porca acompanha a barra sem empurrar o carro.

Antes da compra, os outros dois pontos que giram passaram pela mão: a ponta do motor, que pode ter o eixo empenado, e a porca, que pode ter a rosca gasta. Na Prusa da oficina, os dois estavam em ordem, e só a luva saiu.

Os passos

Com a máquina desligada e o bico frio:

1. Solte os dois parafusos do acoplador velho, no lado do motor e no lado da barra, e puxe a barra para cima.

2. Encaixe o acoplador novo no eixo do motor e aperte o parafuso de baixo com a chave Allen (a chave sextavada em L) de 2 milímetros.

3. Desça a barra até encostar no eixo do motor, dentro do acoplador, e aperte o parafuso de cima.

4. Afrouxe meia volta os 2 parafusos que prendem a porca de latão ao suporte do carro.

5. Gire a barra à mão de baixo até em cima, 3 vezes, e reaperte a porca na posição em que ela parar.

6. Passe uma gota de graxa branca de lítio na rosca e suba e desça o eixo pelo painel, de ponta a ponta.

O reteste

O arquivo do cilindro voltou à máquina com o rolo de antes, a 210 graus e na velocidade original. Contra a janela, a parede saiu lisa. O paquímetro correu do pé ao topo e não achou vale.

Na unha, sobrou uma leve marca de costura, o ponto onde a espiral do modo vaso sobe para a volta seguinte. Ela fica numa linha vertical só e não se repete em altura, e o reteste ficou aprovado.

Quando o acoplador não resolve

Se o cilindro novo ainda mostra faixas a cada 2 milímetros, a próxima suspeita é a própria barra torta. Rolada sobre um vidro plano, a barra boa rola sem pular. Faixa com outro intervalo, como 0,8 ou 1 milímetro, aponta para o passo do motor ou para a altura de camada, e a investigação muda de peça.

Configuração final: acoplador novo de 5 para 8, barra no fundo, porca com folga, graxa na rosca, e o cilindro de 60 milímetros como prova.

 

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III  Análise de Margem

Os 15 reais que salvaram a vitrine

A conta usa o rolo de PLA a 110 reais o quilo e a máquina a 4 reais a hora, somando luz e desgaste. A peça que mais vende na oficina é um vaso decorativo de 18 centímetros, impresso em modo vaso, com 60 gramas e 4 horas de máquina.

• Vaso: 6,60 reais de PLA e 16 de máquina

• Custo por vaso: 22,60 reais

• Preço na loja online: 49 reais

• Acoplador novo: 15 reais

• Cilindros de teste: 5, a 2,33 reais cada

O que as faixas custavam

Nas duas semanas com a luva trincada, saíram 12 vasos. Cinco clientes mandaram foto das listras e pediram troca, e cada vaso foi reimpresso e reenviado: 113 reais só de peça refeita.

A margem por vaso é de 26,40 reais. As cinco reimpressões comeram a margem de quatro vasos inteiros e um pedaço do quinto, sem contar 20 horas de máquina ocupada com peça repetida.

O que a troca custou

O acoplador e os 5 cilindros de teste somaram 26,65 reais, o lucro de um vaso. Os três cilindros que testaram filamento, temperatura e velocidade custaram 6,99 reais e só mostraram onde a falha não estava. Com o paquímetro primeiro, o diagnóstico teria ido direto para a barra.

As quatro horas de secador também entraram na conta da luz, uns 80 centavos gastos num rolo que já estava seco. O filamento úmido deixa bolha e fio na peça, e o cilindro listrado não tinha nenhum dos dois.

Na vitrine

A listra aparece na luz lateral da foto do produto, e foto de vaso listrado derruba a venda na loja. Com a parede lisa, os 8 vasos seguintes saíram sem pedido de troca, e a foto da vitrine foi refeita com o primeiro deles.

A regra da oficina ficou anotada na tampa da caixa de ferramentas: faixa regular na parede, paquímetro primeiro, medida dividida pelo número de faixas e comparada com o avanço da barra.

“Quantos milímetros separam as faixas da última peça listrada que saiu da sua máquina?”

Hoje: imprima 1 cilindro de 20 por 60 milímetros em modo vaso e meça 10 faixas com o paquímetro. Nas próximas 24 horas, divida a medida por 10 e compare com o avanço da barra do seu eixo Z.

 
 
Quiz da edição

No teste do cilindro de 60 milímetros, qual peça estava rachada e causava a faixa a cada 2 milímetros na parede?

AA barra roscada do eixo Z (Tr8x2)
BA porca de latão do carro
CO acoplador flexível de alumínio
DO bico de impressão a 210 graus

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