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A frase volta toda vez que um cabo de chave de fenda sai da mesa com as linhas de camada à mostra: lixa e primer resolvem, é só passar duas demãos. Quem repete ela põe quarenta minutos de bancada em cada peça, respira pó de PETG a tarde inteira e ainda entrega um cabo que escorrega na mão suada, pelo mesmo preço do cabo liso que ninguém quis.
A correção cabe numa caixa de seleção do fatiador chamada fuzzy skin, em português pele felpuda, o recurso que manda o bico chacoalhar de leve enquanto desenha a parede externa. A superfície sai irregular de propósito, as linhas horizontais se dissolvem dentro da aspereza e a peça ganha atrito onde a mão aperta.
O ganho passa longe de ser só aparência. Cabo de ferramenta vive com óleo, graxa e suor, e parede lisa de PETG desliza justamente quando o aperto aumenta. A textura levanta pontos de contato de alguns décimos de milímetro que a palma agarra, e o dedo para de procurar posição a cada giro.
A conta esquecida nessa história é o tempo de máquina. Parede irregular obriga o cabeçote a mudar de direção a cada 0,4 milímetro de percurso, e mudança de direção exige desaceleração. O bico atravessa a mesma distância, só que em velocidade menor, e o relógio da impressora sente.
A bancada imprimiu dez cabos de chave de fenda em PETG preto com a pele felpuda ligada e dois cabos lisos de controle, cronometrou cada peça pelo relógio da máquina, pesou as doze e testou a pegada com a mão untada de óleo de máquina. Nenhum acessório entrou na conta: bico de 0,4 milímetro, uma cabeça, o fatiador que já vinha instalado.
O primeiro cabo mostrou onde a textura ajuda, onde ela estraga a peça e por que a área do encaixe hexagonal saiu de fora da lista.
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I Projeto da Semana
I, Os dez cabos e a parede felpuda
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O cabo dessa oficina tem 102 milímetros de comprimento, 31 milímetros de diâmetro no bojo e 24 na cintura, com um encaixe hexagonal de 6,35 milímetros no topo para a ponta intercambiável. Sai em pé na mesa, apoiado pelo disco traseiro, e pesa 42 gramas em PETG preto com 4 paredes e 18 por cento de preenchimento giroide.
A pele felpuda entrou só nas paredes externas do corpo, entre 12 e 86 milímetros de altura. O disco traseiro ficou liso porque ele encosta na mesa e textura na primeira camada vira defeito de adesão; o topo do encaixe também ficou liso, por razão prática: aspereza dentro de furo hexagonal rouba folga, e a ponta da chave entra forçada ou não entra.
Os dez cabos felpudos esconderam as linhas de camada a qualquer distância de leitura, inclusive com o cabo encostado no rosto, e os dois cabos lisos mostraram as linhas já a meio metro de distância, sob a luz lateral da bancada. A textura não corrige geometria: cabo torto continua torto, e ondulação de parede causada por vibração continua visível como onda larga por baixo da aspereza.
A pegada foi ao teste com óleo. Quem apertou parafusos de 4 milímetros com a mão untada escorregou em 3 das 10 tentativas usando o cabo liso, e em nenhuma das 10 com o cabo felpudo. O escorregão do cabo liso acontece no momento do aperto final, quando a força sobe e a palma gira em falso sobre a superfície.
A aspereza é ajustável, e o número que manda é a espessura. Com 0,3 milímetro, a parede fica com relevo de lixa grossa, agradável na mão. Com 0,6, o cabo vira raladinho: guarda graxa no fundo dos sulcos e machuca a palma depois de vinte parafusos seguidos.
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As camadas empilhadas deixam na superfície uma marca escalonada inevitável, e o acabamento de uma peça impressa é, na prática, a soma das decisões que se toma sobre essa marca.
Hod Lipson e Melba Kurman, livro Fabricated: The New World of 3D Printing, 2013
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O quarto cabo do lote saiu com uma falha que vale nomear: a parede felpuda ficou com aparência de fio derretido na faixa dos 40 aos 55 milímetros. A causa foi o ventilador em 40 por cento, herança do perfil de PETG da casa. Com a ventilação em 70 por cento, a aspereza voltou a sair seca nos seis cabos seguintes.
Vale dizer o que continuou sem resposta no lote. A bancada não mediu quanto a textura resiste a mil ciclos de aperto, porque isso pede um torquímetro de bancada e dois meses de uso real, equipamento que a oficina não tem. A durabilidade do relevo segue em aberto, e o cliente recebe o cabo sabendo disso.
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II Configurações Recomendadas
II, 0,3 de espessura e 0,4 de passo
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A pele felpuda com 0,3 milímetro de espessura e 0,4 milímetro de distância entre pontos custou 17 minutos a mais por cabo, e a mesma textura com a velocidade de parede externa mantida em 40 milímetros por segundo saiu borrada em duas peças de ensaio, com o relevo achatado no lado de fora das curvas. A velocidade que funciona nesse cabo é 25 milímetros por segundo na parede de fora, com aceleração de 2.000 milímetros por segundo ao quadrado.
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Os dois campos que governam a textura moram no mesmo painel do fatiador. Espessura define quanto o bico sai da linha teórica da parede, para dentro e para fora; distância entre pontos define de quanto em quanto milímetro ele sorteia um novo desvio. Valor alto no primeiro engrossa o relevo, valor baixo no segundo aumenta o número de correções de rota, e é o segundo que come o relógio.
Seis passos da textura que sai seca e definida
Primeiro, ligue a pele felpuda apenas nas paredes externas. O modo que aplica em todas as paredes deixa a peça oca por dentro do perímetro, fura a estanqueidade e não muda nada no que a mão toca.
Segundo, escreva 0,3 milímetro na espessura e 0,4 milímetro na distância entre pontos. Esse par dá o relevo de lixa grossa; 0,15 some na mão e 0,6 vira raladinho de graxa.
Terceiro, derrube a velocidade da parede externa para 25 milímetros por segundo e a aceleração para 2.000. Velocidade cheia com desvio a cada 0,4 milímetro faz o cabeçote chegar atrasado em cada correção, e o relevo sai achatado nas curvas.
Quarto, suba a ventilação para 70 por cento no corpo texturizado, mesmo em PETG. O material precisa congelar a crista do relevo antes do bico voltar por cima, senão a aspereza escorre e vira casca de laranja molhada.
Quinto, tire a textura das superfícies funcionais por modificador de altura. No cabo, a faixa lisa vai de 0 a 12 milímetros no disco traseiro e de 86 a 102 no encaixe hexagonal, e o fatiador aceita marcar as duas faixas sem cortar o modelo.
Sexto, imprima um anel de teste de 10 gramas antes do lote e passe a mão nele com óleo. Onze minutos de impressão dizem se o par de números está certo, e o cabo inteiro leva mais de duas horas para dizer a mesma coisa.
A retração merece atenção separada nesse perfil. Parede felpuda multiplica as micro paradas do fluxo, e PETG com retração de 6 milímetros no extrusor direto começa a pingar fio de cabelo entre as cristas. Baixando para 3,5 milímetros, com 25 milímetros por segundo de velocidade de retração, os fios sumiram sem entupir o bico.
Configuração fechada do lote felpudo: PETG a 240 graus com mesa a 80, camada de 0,2 e primeira camada de 0,28, bico de 0,4, 4 paredes, 18 por cento de preenchimento giroide, pele felpuda só na parede externa com 0,3 de espessura e 0,4 de passo, parede externa a 25 milímetros por segundo, aceleração de 2.000, ventilação de 70 por cento acima da camada 60, retração de 3,5 milímetros e zero suporte.
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