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O botão do fogão que pediu 0,15 mm de folga

O eixo em D medido no paquímetro, o PETG pelo calor da chama e a folga que fez o botão parar de patinar.

Botão de fogão impresso em PETG preto encaixado num eixo de metal em forma de D, com um paquímetro digital sobre a bancada.

Botão em PETG e o eixo em D de 6 mm

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No grupo de impressão, a receita chegou em 4 minutos: "põe meio milímetro de folga no furo que qualquer eixo entra". O eixo entrou, e o botão do fogão passou a girar em falso na segunda panela de feijão.

O fogão era um Atlas de 4 bocas, com 9 anos de cozinha. O botão da boca grande da frente rachou por dentro, no encaixe do eixo, e passou a rodar solto: a chama só regulava com um alicate apertando o eixo de metal.

O eixo tem formato de D (um cilindro com uma face lixada reta, que trava o botão e impede o giro livre). No paquímetro digital (o instrumento de dois bicos que mede com precisão de centésimo de milímetro), o diâmetro deu 6,00 milímetros e a medida da face reta até o lado curvo deu 4,52.

A peça original custa 28 reais na loja de peças do bairro, com 12 dias de entrega. A bancada decidiu imprimir e escolheu PETG (o plástico de garrafa de refrigerante, mais resistente ao calor que o PLA comum) porque o botão fica a 6 centímetros da chama.

A primeira tentativa seguiu a receita do grupo: furo de 6,50 milímetros e face reta a 5,02. O botão entrou com o dedo, girou o eixo frio sem problema e começou a patinar no terceiro dia, com a boca acesa por 40 minutos.

Meio milímetro sobrando em volta do D deixa a face reta do eixo girar dentro do furo até bater numa quina. Com o plástico morno, a quina amassa, e cada volta arredonda um pouco mais o encaixe.

A segunda tentativa usou 0,15 milímetro de folga e uma fenda de 8 milímetros no pino do botão, que abre quando o eixo entra e aperta de volta. Esse botão está no fogão há 30 dias, sem nenhum giro em falso.

O Projeto da Semana, logo abaixo, mostra como a medida do paquímetro virou desenho e por que 0,15 milímetro pegou onde meio milímetro falhou.

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I  Projeto da Semana

I, Do paquímetro ao furo em D

O Projeto da Semana é o Botão Atlas 6D, um botão de controle de fogão em PETG preto, com 38 milímetros de diâmetro e 22 de altura, desenhado para o eixo em D de 6 milímetros que muitos fogões nacionais de 4 bocas usam.

O desenho começou pelo eixo. Com o fogão desligado e o botão quebrado fora, o paquímetro mediu três pontos: o diâmetro do eixo, a distância da face reta até o lado curvo e o comprimento da face reta, que deu 9 milímetros.

Cada medida foi tirada três vezes, girando o eixo, e a bancada anotou a menor. Eixo de fogão velho junta gordura e ferrugem na face reta, e a leitura maior costuma ser sujeira. Antes de medir, o eixo levou um pano com álcool isopropílico.

No programa de modelagem, o furo virou um círculo de 6 milímetros cortado por uma linha reta a 4,52 do lado oposto. Esse perfil foi puxado 12 milímetros para dentro do pino, o cilindro interno do botão que abraça o eixo.

Por que meio milímetro falhou

A impressora não devolve o furo com a medida do desenho. Furo impresso sai menor, porque o bico faz a última volta do contorno espremendo plástico para dentro. Na Creality Ender 3 V2 da bancada, um furo de teste desenhado com 6,00 saiu com 5,86.

Por esse motivo existe a folga. A receita do grupo somava meio milímetro em todas as medidas, e o furo impresso saiu com 6,36 de diâmetro e 4,88 na face reta: 0,36 milímetro sobrando justamente no ponto que trava o giro.

Com 0,36 milímetro de sobra na face reta, o eixo girava 11 graus dentro do furo antes de encostar na quina. Cada vez que alguém virava o botão, a quina levava a pancada inteira.

O calor fez o resto. Um termômetro de espeto encostado no botão marcou 64 graus depois de 40 minutos de boca grande acesa. O PETG começa a amolecer perto dos 80 graus, então o botão não deformava, mas a quina, recebendo pancada morna, foi achatando.

No terceiro dia, a quina estava redonda e o botão patinava: a mão virava, o botão ia, o eixo ficava parado. A chama voltou a ser regulada com alicate até a segunda versão sair da mesa.

A segunda versão mudou duas medidas e acrescentou um corte. O furo passou a 6,15 com a face reta a 4,67, folga de 0,15, e o pino ganhou uma fenda vertical de 8 milímetros de comprimento e 1 de largura, que deixa o pino abrir ao receber o eixo e apertar de volta.

Com a Ender devolvendo o furo 0,14 menor, a folga real ficou em 0,01 milímetro. O botão entrou com pressão do polegar, a fenda abriu o suficiente, e o encaixe ficou sem nenhum grau de giro livre.

 
 

II  Configurações Recomendadas

II, PETG a 240 graus e o pino de pé

PETG a 240 graus, mesa a 80, 4 perímetros, 40% de preenchimento e o botão impresso de cabeça para baixo, com o furo em pé: 1 hora e 12 minutos de impressão e 11 gramas de filamento por botão.

O PETG entrou pela leitura do termômetro. O PLA, o filamento mais comum da impressão caseira, começa a amolecer perto dos 60 graus, e o botão passou desse ponto com uma panela só. Um botão de PLA ali entortaria o pino na primeira semana.

A orientação na mesa conta tanto quanto o material. O botão sai com a face de pegar encostada na mesa e o pino apontando para cima. Assim o furo em D é construído camada por camada como um desenho plano, e cada camada sai com o D inteiro e fechado.

Deitado de lado, o furo seria impresso em fatias verticais, com o topo em ponte (o trecho que o bico estende no ar, sem apoio embaixo). A ponte cede alguns décimos de milímetro, e a face reta do D sairia torta.

Quatro ajustes no fatiador

O fatiador (o programa que transforma o desenho em caminho do bico) recebeu quatro mudanças para o Botão Atlas 6D, todas no perfil de PETG da Ender 3 V2.

Primeiro, 4 perímetros (as voltas de contorno de cada camada). Com 2, a parede do pino fica com 0,8 milímetro e racha na fenda ao receber o eixo. Com 4, a parede chega a 1,6 e flexiona sem abrir.

Segundo, compensação de furo em zero. A folga já está no desenho, e compensar de novo no fatiador devolve o furo largo da primeira tentativa.

Terceiro, 30 milímetros por segundo no contorno externo. Contorno rápido balança na quina do D e arredonda justamente a face reta que trava o giro.

Quarto, ventoinha de peça em 30%. PETG com ventoinha no máximo solta entre camadas, e o pino é a parte do botão que mais sofre torção.

O teste foi feito antes de o botão chegar ao fogão. Um pedaço de eixo em D, cortado de um fogão de sucata comprado por 5 reais no ferro-velho, virou gabarito. O botão entrou, foi girado 50 vezes com força de mão e saiu sem folga que o dedo percebesse.

Com a primeira versão, o mesmo gabarito teria mostrado o defeito em segundos: o botão estalava ao virar, sinal de que o eixo batia na quina. A bancada passou a tratar esse estalo como reprovação imediata.

Configuração fechada: PETG a 240 graus, mesa a 80, 4 perímetros, 40% de preenchimento, contorno externo a 30 milímetros por segundo, ventoinha em 30%, compensação de furo em zero e o botão de cabeça para baixo na mesa.

 

Quem banca a edição de hoje

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III  Análise de Margem

III, O kit de 4 botões a 59 reais

O Botão Atlas 6D sai em kit de 4, um por boca, vendido a 59 reais. Os 4 botões vão juntos numa mesa só, e a conta abaixo mostra o custo do kit e o que a primeira tentativa custou.

Filamento do kit: 44 gramas de PETG, 4,80 reais com o rolo a 109 o quilo
Hora de máquina: 4 reais por hora, contando desgaste de bico, correia e mesa
Tempo do kit: 3 horas e 30 minutos de mesa, 14 reais de máquina
Energia: 0,12 quilowatt-hora por hora de impressão, a 0,92 o quilowatt-hora: 0,39 real
Custo do kit: 19,19 reais
Primeira tentativa perdida: 11 gramas e 1 hora e 12 minutos, 6,13 reais
Gabarito de eixo: 5 reais no ferro-velho, usado em todo kit seguinte

Com o kit a 59, a margem fica em 39,81 reais. A primeira tentativa e o gabarito somaram 11,13 reais, pagos uma vez só: o desenho com 0,15 de folga agora serve para todo kit que sai da mesa.

O comprador compara com a loja de peças. Quatro botões originais saem a 112 reais, com 12 dias de entrega, e o kit impresso chega em 2 dias pelos Correios. O preço de 59 fica perto da metade e ainda paga a máquina.

O risco da margem está na folga. Um kit com 0,5 de sobra volta em três dias com o botão patinando, e a troca custa outro kit inteiro mais o frete, algo em torno de 38 reais, o que come quase toda a margem da venda.

Outra armadilha é vender para eixo que a bancada não mediu. O eixo em D de 6 milímetros cobre o Atlas testado, mas fogão de outra marca pode ter face reta em outra altura. A bancada pede ao comprador a foto do eixo com uma régua encostada e só manda o kit depois da medida conferida.

"Quantos botões do seu fogão ainda giram só porque alguém segura o eixo com alicate?"

Hoje: tire 1 botão do fogão, meça o eixo 3 vezes com o paquímetro e anote a menor leitura da face reta, antes do jantar.

 
 
Catálogo do Que Vende: oito famílias, uma por dia: A peça que quebrou e a fábrica não vende sozinha, O acabamento do carro que só vem no conjunto, O suporte que segura o que vive caindo, O organizador que só se vende em kit, O display que trabalha no balcão do outro, O gabarito que a oficina usa pra ganhar tempo, A peça de festa com nome e data, A peça do bicho de casa. Começar pelo dia 1.

Começar pelo dia 1 →

 
Quiz da edição

Depois da primeira tentativa falhar, que folga a bancada usou na segunda versão do furo em D, a que resolveu o giro em falso?

A0,36 milímetro
B0,15 milímetro
C0,50 milímetro
D0,01 milímetro

Veja o ranking de quem mais acerta →

 
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Dia 7 de 7 · a temporada de setembro fecha 30/09

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ED 055 · amanhã às 15:15

O cone de 35 mm que ligou o aspirador à serra

Os 2 diâmetros no paquímetro, a parede de 3 voltas e o cone impresso em pé, sem um grama de suporte.

 
 
 

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