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ED 003

O furo que sai 0,4 milímetro menor

O rolamento 608 desenhado na medida exata trava no encaixe, porque todo furo impresso fecha entre 0,2 e 0,5 milímetro do arquivo até a mesa.

Um rolamento 608 apoiado na boca de um assento impresso que ficou pequeno demais, ao lado de um paquímetro aberto.

O rolamento 608 parado na boca do assento

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Um rolamento 608 tem 22 milímetros de diâmetro externo, e o número é exato. Sai assim da fábrica, com tolerância de centésimo, em qualquer marca de qualquer prateleira. O furo que você desenha pra receber ele também tem 22 milímetros no arquivo. Os dois números batem na tela, e é justamente por baterem que a peça não fecha.

Nenhum furo impresso sai do tamanho que foi desenhado. Ele nasce menor, sempre, e a diferença mora entre 0,2 e 0,5 milímetro no diâmetro. Não é defeito de máquina cara ou barata: acontece igual na Ender de oito anos e na Bambu que chegou semana passada, porque nasce do jeito como a camada é depositada.

Três coisas empurram a parede pra dentro ao mesmo tempo. O bico deposita um filete com largura própria, e o fatiador constrói a curva do furo com segmentos retos que cortam caminho por dentro do círculo. O plástico encolhe entre 0,3 e 0,4 por cento enquanto esfria, e num furo o encolhimento fecha o vão em vez de abrir. As primeiras camadas espalham sob a pressão do bico e deixam a boca mais estreita que o resto do canal.

O erro não é aleatório, e essa é a parte boa. Ele é constante pra cada dupla de máquina e filamento, e número constante se mede uma vez e se usa pra sempre. O que muda é o carretel: um PLA fecha 0,25 e o PETG da prateleira ao lado fecha 0,45 na mesma impressora, com o mesmo arquivo e o mesmo perfil.

O caro é descobrir o valor na peça final. Encaixe de rolamento costuma morar em projeto grande, de muitas horas, e o teste de encaixe só acontece quando a impressão termina. Se o furo apertou, não existe conserto honesto: furadeira arredonda a boca, destrói a concentricidade e o rolamento entra torto.

Oito gramas de plástico e menos de 20 minutos de bico respondem a pergunta antes de a peça grande começar. Antes do gabarito, vale medir o estrago que ele evita, num projeto que quase toda bancada com impressora já vendeu.

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I  Projeto da Semana

O suporte de bobina que travou no 608

Oito assentos de rolamento, 165 gramas e mais de 6 horas de bico. O 608 parou na boca do primeiro furo, com 0,38 milímetro de diferença.

O suporte de bobina com roletes, aquele que deixa o carretel girar liso em vez de arrastar num eixo seco, é o projeto que mais castiga um furo apertado. A base em U recebe dois braços, cada braço segura um rolete, e cada rolete gira sobre dois rolamentos 608 encaixados por pressão.

São oito encaixes na mesma peça, e um só que aperte já emperra o rolete e devolve o arrasto ao carretel.

A impressão saiu com o perfil de sempre: PLA, bico de 0,4, camada de 0,2, quatro paredes, 20 por cento de infill giroide, 215 graus no bico e 60 na mesa. O fatiador marcou 165 gramas e 6 horas e 4 minutos, e a máquina cumpriu o prazo sem nenhum aviso na tela.

No desenho, cada assento tem 22,0 milímetros de diâmetro e 7,2 de profundidade, folga de dois décimos na altura pra receber um rolamento de 7 milímetros. Tudo redondo, nada difícil de imprimir.

O rolamento parou na boca do primeiro assento. Não entrou nem meio milímetro com pressão de polegar, e o paquímetro explicou o motivo em três segundos: 21,62 milímetros medidos no furo impresso, contra 22,0 no arquivo. O furo fechou 0,38 sozinho.

Forçar é a reação natural e é a pior delas. No torno de bancada o rolamento entra, e a parede de 1,6 milímetro racha na diagonal. Quando não racha, o assento vira oval sob a pressão e a pista interna passa a raspar em vez de girar.

A precisão dimensional de uma peça construída camada a camada só se estabiliza quando os fatores de compensação são levantados na própria máquina, com o próprio material.

Ian Gibson, David Rosen e Brent Stucker, Additive Manufacturing Technologies, 2015

O segundo palpite custou outras 6 horas. Redesenhei os assentos pra 22,5 milímetros, número escolhido no olho, e o furo saiu com 22,12. O rolamento entrou sem resistência nenhuma e ganhou uma folga de um décimo que aparece como trepidação assim que a bobina começa a rodar.

Duas impressões, 12 horas de bico e 330 gramas de PLA depois, a bancada tinha duas peças e nenhuma delas servia. A primeira apertava, a segunda dançava, e as duas foram pro balde.

O número certo apareceu depois, e era 22,4. Com a compensação de 0,4 no diâmetro, o assento sai com 22,02 medidos, e o rolamento entra com pressão de polegar firme, encosta no fundo e fica parado ali sob carga.

O valor nunca esteve no desenho do rolamento nem no manual da impressora. Ele mora na dupla máquina mais filamento, e só aparece quando você imprime um pedaço de plástico que existe pra ser medido.

 
 

II  Configurações Recomendadas

O gabarito de folgas de 0,1 a 0,4 milímetro

Não desenhe o furo na medida do rolamento. Desenhe na medida do rolamento mais a folga que a sua impressora come, e essa folga se levanta uma vez por carretel, em menos de 20 minutos de mesa.

O gabarito é uma barra de 120 por 34 por 6 milímetros com quatro furos em linha: 22,1, 22,2, 22,3 e 22,4 milímetros, cada um com o número gravado em relevo ao lado. São 8 gramas de filamento e 19 minutos de impressão.

O gabarito só vale se sair com o mesmo perfil da peça real: mesmo bico, mesma altura de camada, mesmo número de paredes e o mesmo carretel montado. Trocar qualquer um desses campos joga a medição fora.

O gabarito em quatro passos

Primeiro, imprima a barra com o perfil da peça grande e espere ela chegar na temperatura ambiente. Plástico quente ainda está encolhendo.

Segundo, empurre o rolamento em cada furo na ordem, do mais apertado pro mais folgado, e pare no primeiro que aceita com pressão de polegar firme e segura a peça de cabeça pra baixo.

Terceiro, subtraia 22,0 do número daquele furo. A diferença é a compensação da sua dupla máquina e filamento, no diâmetro.

Quarto, anote o valor numa etiqueta colada no próprio carretel. O número morre junto com aquele rolo, e o rolo seguinte da mesma marca pode fechar diferente.

Aplicar a compensação tem dois caminhos. No CAD, some a folga ao diâmetro do furo. No fatiador, use o campo de compensação de furo no plano XY, que o Cura chama de expansão horizontal de furos.

A armadilha é a unidade. Esse campo trabalha em raio, não em diâmetro, então a folga de 0,4 milímetro do gabarito vira 0,20 no campo do fatiador. Digitar 0,4 ali dobra a correção, o furo abre 0,8 e o rolamento volta a girar solto.

Use o campo específico de furo, nunca a compensação geral de XY, que empurra o contorno externo e faz a peça perder medida.

Duas correções fecham o resto. Um chanfro de 0,4 milímetro a 45 graus na boca de cada assento dá caminho de entrada pro rolamento e neutraliza a beirada espalhada da primeira camada. A compensação de pé de elefante em 0,18 segura a boca do furo no diâmetro do meio do canal.

Duas regras de projeto valem tanto quanto os campos. Assento de rolamento imprime com o eixo do furo paralelo ao Z, porque furo de eixo horizontal sai ovalado. E parede externa a 30 milímetros por segundo, com resolução de arco em 0,01, dá segmentos curtos pra curva não cortar caminho.

Configuração fechada pro suporte de bobina: PLA, camada 0,2, quatro paredes, 20 por cento giroide, 215 graus no bico e 60 na mesa, parede externa a 30 milímetros por segundo, compensação de furo em 0,20 de raio, pé de elefante em 0,18, chanfro de 0,4 na boca de cada assento e o eixo dos oito furos paralelo ao Z.

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III  Análise de Margem

As 6 horas que o teste de 20 minutos evita

O filamento: 165 gramas por peça reprovada, com o PLA a 110 reais o quilo, dão 18,15 reais que saem do carretel e entram no balde. Nada disso volta: assento rachado não tem conserto e peça com oito encaixes não se aproveita pela metade.

O tempo: 6 horas e 4 minutos de bico ligado pra descobrir uma medida. Com a hora de máquina do ateliê a 3 reais, são mais 18,20 reais parados na mesa, sem contar a encomenda que passou a tarde esperando na fila.

A bancada: de 20 a 25 minutos tentando salvar o que já era, entre torno, secador e furadeira. É o trabalho que menos aparece na planilha e o que mais estraga a peça, porque cada tentativa de alargar à mão tira a concentricidade do assento.

O prejuízo de um furo apertado fecha em 36,35 reais por impressão, e se repete toda vez que a máquina troca de carretel sem ninguém medir nada. O gabarito custa 1,83 real somando filamento e hora de máquina. Um vale vinte do outro.

A conta de venda mostra onde o aperto morde de verdade. Vendendo o suporte de bobina a 79 reais, a peça que sai boa de primeira deixa 60,85 de margem bruta. A peça que travou e precisou de uma segunda impressão consome 36,30 em filamento e derruba a margem pra 42,70, uma queda de 30 por cento numa venda que já estava fechada.

Somando as 6 horas de mesa que a primeira tentativa queimou, a margem real daquela venda cai pra 24,50 reais. Mesmo produto, mesmo preço, mesmo cliente, e a diferença inteira nasceu de um campo que ninguém preencheu no fatiador.

Numa bancada que entrega vinte peças com rolamento por mês e abre três carretéis novos, quatro travadas é número conservador: 145,40 reais e 24 horas de bico perdidas contra 5,49 reais de gabarito, ou 139,91 reais e 23 horas que voltam pro mês.

Existe um limite honesto na conta, e ele é a validade do número. A compensação vale pra aquela dupla de máquina e filamento, com aquele bico e aquela altura de camada. Trocar o bico de 0,4 pelo de 0,6 ou abrir um carretel de PETG invalida a medida, e o PETG fecha entre 0,45 e 0,55 no diâmetro.

O segundo limite é o tempo. Encaixe por pressão em plástico relaxa sob carga constante, e um assento que segurava firme na montagem afrouxa depois de alguns meses girando. Em peça que roda todo dia, desenhe um ombro de 1 milímetro no fundo do assento, em vez de deixar o atrito sozinho segurando o conjunto.

"Quantas horas de bico o seu último encaixe apertado custou antes de alguém medir o furo?"

 
 
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A0,02 a 0,05 milímetro
B0,2 a 0,5 milímetro
C1 a 2 milímetros
D2 a 3 milímetros

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