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O nó no carretel que parou a peça em 68%

A ponta solta da troca anterior, as voltas cruzadas por cima dela e o furo lateral que teria segurado o filamento.

Carretel de filamento preto com a ponta presa por baixo de 3 voltas, ao lado de uma peça parada pela metade.

A ponta solta presa sob as voltas do carretel

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A frase dita na oficina foi “a ponta fica solta só um minuto, enquanto eu ajeito o rolo”, e ela custou uma peça de 3 horas. A ponta não ficou solta um minuto. Ela escorregou por baixo das voltas do carretel e ficou ali, presa, esperando a impressora chegar até ela.

A encomenda era de 10 organizadores de gaveta em PLA preto (o plástico de amido de milho, o mais comum na impressão caseira), com 180 por 120 milímetros de base e 4 horas e 25 minutos de impressão cada. A máquina era uma Ender 3 V2, da Creality, com o carretel preso num suporte em cima da estrutura.

O sexto organizador ia bem. Primeira camada firme, paredes retas, nenhum fio solto. Na terceira hora, com 68% da peça pronta, o motor da extrusora (o conjunto de engrenagens que empurra o filamento até o bico) começou a estalar.

O estalo é o som da engrenagem patinando no filamento. Ela gira, mas o fio não anda. O bico continuou passeando sobre a peça, sem plástico saindo, e desenhou no ar as camadas que faltavam.

A primeira suspeita foi o bico entupido. A oficina aqueceu o bico a 210 graus e empurrou filamento à mão: o plástico saiu limpo. A segunda suspeita foi a engrenagem gasta, e ela também estava inteira.

A resposta estava 40 centímetros acima da mesa. O filamento, esticado como corda de violão, sumia por baixo de 3 voltas do carretel. Ao puxar, a oficina sentiu o fio travado, sem nenhum jogo.

Na troca anterior de material, o rolo novo tinha sido encaixado no suporte com a ponta solta. Enquanto o filamento era cortado e passado pelo tubo, o carretel girou meia volta para trás, as voltas de cima afrouxaram e a ponta deslizou por baixo delas.

Por 5 peças, as voltas de cima saíram normalmente. Na sexta, a impressora chegou à volta que passava por cima da ponta presa e puxou um fio que estava amarrado no próprio rolo. A investigação completa do carretel vem no Projeto da Semana, logo abaixo.

Continue lendo ↓

 
 

I  Projeto da Semana

I, As 3 voltas por cima da ponta

O sexto organizador de gaveta parou com 68% impresso, ou 3 horas de máquina, e o motivo ficou visível só depois que a oficina tirou o carretel do suporte e girou o rolo devagar, volta por volta, sobre a mesa de trabalho.

O rolo era de 1 quilo, com carretel de papelão de 200 milímetros de diâmetro. Cada volta externa gasta perto de 63 centímetros de filamento. Com 5 organizadores já impressos, a impressora tinha consumido cerca de 700 gramas e chegado às camadas mais internas do rolo.

Ali, a ponta solta aparecia cruzada: entrava por baixo de 3 voltas, saía do lado e voltava a ser enrolada. Quando a impressora puxou a última volta livre, o fio que vinha a seguir estava preso sob as outras e o rolo inteiro deixou de girar.

O que o carretel guarda

Um carretel de filamento é enrolado na fábrica com tensão constante. Cada volta fica apoiada sobre a de baixo, como linha num carretel de costura. Enquanto a ponta está presa, as voltas não têm espaço para se mexer.

A ponta solta faz o contrário. Quando o rolo gira para trás, mesmo meia volta, as voltas de cima afrouxam e se abrem um pouco. A ponta, que é rígida, entra por baixo de uma delas e fica ali. Quando a tensão volta, ela está enterrada.

O defeito não aparece na hora. A ponta presa fica escondida embaixo de dezenas de voltas boas, e a impressora pode rodar horas ou dias até chegar ao ponto do cruzamento.

A ponta presa no furo do carretel trava as voltas; a ponta solta deixa o rolo inteiro se enrolar sozinho.

O furo que ficou vazio

Na lateral do carretel de papelão há 4 furos pequenos, de 2 milímetros, perto da borda. Eles existem para receber a ponta do filamento: o fabricante passa a ponta por um deles na fábrica, e graças ao furo o rolo chega lacrado e sem voltas soltas.

Na troca anterior, a ponta do rolo velho tinha sido tirada do furo para alimentar a impressora. Ao guardar o rolo de volta, ninguém passou a ponta por nenhum dos 4 furos. O rolo ficou com o fio pendurado, preso só pela própria tensão.

O teste final foi refazer o caminho. A oficina desenrolou 3 metros do rolo, encontrou o cruzamento, soltou a ponta com uma pinça e enrolou tudo de volta com a ponta presa no furo. O rolo voltou a girar livre no suporte, sem nenhum tranco.

 
 

II  Configurações Recomendadas

II, Ponta no furo, M600 e sensor de filamento

PLA a 210 graus, mesa a 60, ponta sempre presa no furo lateral ao tirar o rolo, M600 para trocar material no meio da peça e sensor de filamento ligado com M412 S1: 1 minuto a mais por troca e zero peça parada nas 4 que faltavam.

O M600 é o comando de G-code (a linguagem de instruções que a impressora lê linha a linha) que pausa a impressão, recua o filamento e espera a troca. Ele evita mexer no rolo com a máquina imprimindo.

A troca sem nó

A causa do travamento foi um rolo que girou para trás com a ponta solta. A rotina nova trava o rolo antes de qualquer corte, e a ponta só sai do furo quando já está dentro do tubo da extrusora.

Os passos da troca, feitos com o rolo ainda no suporte:

1. Segure o carretel com uma mão, para ele não girar para trás.

2. Corte o filamento em diagonal, 5 centímetros acima da entrada da extrusora.

3. Passe a ponta do rolo que sai por um dos 4 furos laterais e dobre 2 centímetros para dentro.

4. Envie M600 pela tela da impressora ou pelo Pronterface, o programa gratuito que conversa com a máquina pelo cabo USB.

5. Corte a ponta do rolo novo em diagonal, solte do furo e só então passe pelo tubo, sem largar o carretel.

O sensor que avisa

A Ender 3 V2 aceita um sensor de fim de filamento, uma pequena chave que fica no caminho do fio e acusa quando ele acaba. O Marlin (o firmware, programa interno da placa da impressora) liga essa leitura com M412 S1.

O sensor comum só percebe quando o filamento some. Com o nó, o filamento continua lá, parado e esticado, e a chave não dispara. Diante desse limite, a oficina passou a usar um sensor com roda, que mede o fio andando.

O sensor com roda conta pulsos enquanto o filamento passa. Se a extrusora gira e a roda não se mexe por 7 milímetros, a placa entende que o fio travou e chama a mesma pausa do M600.

Com o sensor de roda instalado e o comando ligado, a oficina simulou o nó: segurou o carretel com a mão durante uma impressão de teste. A máquina pausou em 4 segundos, recuou o filamento e esperou.

Configuração fechada: PLA a 210 graus, mesa a 60, ponta sempre no furo lateral, troca de material com M600, sensor com roda ligado com M412 S1 e pausa disparada com 7 milímetros sem movimento.

 

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III  Análise de Margem

III, 68% de plástico no lixo e 4 segundos de pausa

A encomenda fechou em 10 organizadores a 45 reais cada, 450 reais no total. A conta do sexto organizador mostra o preço de uma ponta que ficou fora do furo.

• Filamento por organizador: 140 gramas de PLA, 15,40 reais com o rolo a 110 o quilo

• Plástico perdido na peça parada: 95 gramas, 10,45 reais

• Tempo de máquina perdido: 3 horas a 4 reais a hora, 12 reais

• Energia da peça parada: 0,12 quilowatt-hora por hora a 0,92 o quilowatt-hora, 0,33 real

• Rolo desenrolado e enrolado à mão: 40 minutos de trabalho manual

A peça parada custou 22,78 reais em plástico, máquina e energia. Os 10 organizadores bons custaram cerca de 330 reais, e a encomenda deixou perto de 97 reais de margem, que teriam sido 120 sem o nó.

O prazo pesou mais. A peça perdida empurrou a entrega em 1 dia, e a impressora ficou parada mais 40 minutos enquanto o rolo era conferido volta por volta.

A ponta presa no furo custa 1 minuto por troca. O sensor com roda para a Ender 3 V2 custa em torno de 60 reais, e com 3 peças paradas como a sexta ele já se pagou.

O dano maior foi no rolo. Depois de desenrolado e enrolado à mão, ele perdeu a tensão de fábrica e passou a soltar voltas no suporte, e a oficina usou o restante só em peças curtas, de menos de 1 hora.

Ficou uma rotina: ao tirar um rolo da impressora, a ponta vai para o furo antes de o rolo sair da mão, e todo rolo guardado volta para o saco fechado com sílica.

“Quantos rolos na sua prateleira estão agora com a ponta solta, fora do furo?”

Hoje: pegue os rolos guardados, confira a ponta de cada um e passe pelo furo lateral as que estiverem soltas; leva 5 minutos e evita a próxima peça parada.

 
 
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Quiz da edição

O que fez a ponta solta escorregar por baixo das voltas do carretel?

AA engrenagem da extrusora gastou e puxou o fio para trás
BO bico entupiu e o plástico voltou pelo tubo
CO carretel girou meia volta para trás e as voltas de cima afrouxaram
DAlguém passou a ponta por um dos furos laterais e a apertou demais

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