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ED 015

Os 10 graus que encheram 8 vasos de teia

Duas mesas de 12 vasos do mesmo arquivo em PETG: a 245 graus deu 8 peças cheias de fio, a 235 com retração de 5 deu 12 limpas.

Oito vasos de PETG âmbar na bancada, com fio de teia esticado entre as nervuras verticais do recorte vazado.

Oito vasos com teia entre as nervuras

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PETG derretido escorre mesmo quando ninguém mandou. O bico continua cheio de plástico pressurizado depois que o comando de extrusão parou, e esse resto de material procura a saída pela ponta enquanto a cabeça viaja para o próximo ponto.

O que sai nessa viagem é o fio de teia. Ele não some, não se funde na parede e não vira estrutura: fica pendurado entre dois pontos da peça como um cabelo esticado, esfria ali mesmo e endurece na posição em que a gravidade deixou.

Nenhum material puxa esse fio com a facilidade do PETG. A resina tem cadeia longa, esfria devagar e mantém pegajosidade por muito mais tempo que o PLA, então o cordão continua grudando no bico e se alongando enquanto atravessa o vazio.

Dois números decidem quanto plástico atravessa. O primeiro é a temperatura do bico, porque ela define a viscosidade do material parado no canal de fusão. O segundo é a retração, o recuo que o motor dá no filamento para tirar a pressão de dentro da câmara antes da viagem começar.

Subir a temperatura é a saída fácil quando a peça sai com falha de extrusão ou camada mal soldada. O plástico flui melhor, a máquina para de estalar, o cordão fecha. O preço vem depois, na superfície: mais fluidez significa mais material escapando por conta própria em cada deslocamento.

A conta do vazamento se multiplica pela geometria. Peça com uma ilha só quase não viaja com o bico vazio. Peça com muitas paredes finas separadas obriga a cabeça a cruzar o ar dezenas de vezes por camada, e cada cruzamento vira uma chance de fio.

O defeito não quebra nada. A peça sai com a parede na medida, com a solda entre camadas firme e com o fundo estanque, e ainda assim vai pro lixo ou pra bancada, porque quem compra vaso decorativo compra a superfície.

Fio de teia também mente sobre a origem. Ele parece defeito de filamento úmido, parece bico entupido, parece perfil errado, e a oficina troca carretel e desmonta hotend antes de mexer nos dois números que realmente mandam.

A única forma de separar suspeito de culpado é rodar a mesma mesa duas vezes trocando um parâmetro por vez, com o mesmo arquivo, o mesmo carretel e o mesmo bico. É o que a próxima seção mostra em 24 vasos.

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I  Projeto da Semana

O vaso que saiu vestido de cabelo

Doze vasos, o mesmo arquivo, dez graus de diferença.

O vaso de parede fina com recorte vazado é a peça que mais expõe retração, porque cada camada obriga a cabeça a cruzar o ar entre uma nervura e outra. A oficina imprime 12 por mesa e vende para floricultura e loja de decoração.

O arquivo é um só: cilindro de 96 milímetros de altura por 78 de diâmetro, com 14 nervuras verticais separadas por vazios de 9 milímetros, parede única de 1,2 e fundo maciço de 6 camadas. Cada peça pesa 47 gramas.

O carretel também é um só: PETG âmbar translúcido do mesmo rolo, aberto na mesma manhã, seco por 6 horas a 65 graus e mantido em caixa com dessecante durante as duas rodadas.

A única diferença entre as duas mesas mora em dois campos do fatiador. Na primeira, bico a 245 graus com retração de 3 milímetros, o perfil que a oficina tinha copiado do PLA e nunca revisado. Na segunda, bico a 235 com retração de 5 milímetros.

O critério de aprovação foi de mão e de luz. A peça passa se sair da mesa sem nenhum fio visível contra a luz de bancada e sem nenhum ponto que a unha engate ao correr por dentro do vazado.

A mesa quente devolveu 8 reprovadas de saída. Todas com teia entre as nervuras, concentrada no terço superior da peça, onde a camada é mais curta e a cabeça viaja mais vezes por minuto.

As 4 restantes passaram raspando, com fio fino em um ou dois vazios, e ainda assim precisaram de retoque. Nenhuma das 12 saiu da mesa em condição de embalar direto.

A mesa de 235 graus com retração de 5 devolveu 12 limpas. Contra a luz, os vazios ficaram vazios de verdade, e a unha percorreu o recorte inteiro sem engatar em ponto nenhum.

O retrabalho contou o resto da história. Foram 40 minutos de bisturi na bancada para limpar a mesa quente, com dois vasos ganhando marca de lâmina na nervura e virando segunda linha.

A superfície mudou junto com o fio. Nas peças de 235 graus, o brilho ficou uniforme de cima a baixo, e nas peças quentes o terço superior saiu com aspecto lixado, porque o material rearrastado pelo bico se deposita de novo em cima da parede.

Os parâmetros de temperatura de extrusão e de retração exercem influência direta sobre a rugosidade superficial e sobre a precisão dimensional das peças produzidas por extrusão de material fundido.

Brian N. Turner e Scott A. Gold, A review of melt extrusion additive manufacturing processes: II. Materials, dimensional accuracy, and surface roughness, Rapid Prototyping Journal, 2015

A umidade não entra na conta. Os dois lotes rodaram com o mesmo filamento seco no mesmo ciclo, e a leitura do higrômetro da caixa marcou 12 por cento nas duas rodadas.

A velocidade também não. As duas mesas rodaram a 45 milímetros por segundo na parede externa e a 180 no deslocamento sem extrusão, com o mesmo tempo mínimo por camada.

 
 

II  Configurações Recomendadas

O bico frio e o recuo de 5 milímetros

Fio de teia não se resolve no bisturi. Ele se resolve em dois campos do fatiador que trabalham juntos, e mexer em um sem o outro devolve peça furada em vez de peça limpa.

A retração tira a pressão, a temperatura tira a vontade de escorrer. Recuo grande com bico muito quente ainda vaza, porque o plástico fluido volta a preencher a ponta antes de a viagem terminar.

Bico frio demais com recuo grande cobra o outro preço. O material endurece dentro do canal, a extrusão demora a voltar no ponto seguinte e a parede nasce com falha na retomada, que é um defeito bem pior que teia.

A calibragem em quatro passos

Primeiro, imprima a torre de temperatura com o carretel que vai rodar o lote. São 5 andares de 10 graus, de 250 a 210, cada andar com duas hastes separadas por um vão, e ela custa 14 gramas e 31 minutos.

Segundo, escolha o andar mais frio em que o vão sai sem fio e a haste continua soldada. Torça a haste com a mão: se ela abrir entre camadas, o andar é frio demais e você sobe 5 graus.

Terceiro, com a temperatura fixa, rode o teste de retração no mesmo modelo de duas hastes, variando o recuo de 2 em 2 milímetros até 7. Extrusora direta costuma fechar entre 1 e 2, e extrusora bowden pede de 4 a 6.

Quarto, prenda a velocidade de deslocamento e a distância mínima de retração. Viagem lenta dá tempo do fio se formar, e distância mínima alta ignora justamente os saltos curtos entre nervuras vizinhas.

Duas armadilhas cobram caro nessa configuração. A primeira é o bico gasto. Ponta de latão com o furo alargado por abrasivo vaza com qualquer número na tela, e o teste de retração nunca fecha.

A segunda é o coasting mal usado. Cortar a extrusão antes do fim do cordão ajuda contra teia, mas exagerar deixa o fim de cada parede com um sulco visível, e a peça troca um defeito cosmético por outro.

Vale conferir o caminho da cabeça antes de acusar o perfil. Ligar a opção de evitar peças impressas no deslocamento reduz o número de travessias pelo ar e resolve boa parte do fio sem tocar em temperatura.

Configuração fechada para o vaso vazado: PETG, bico de 0,4 a 235 graus, mesa a 80, camada de 0,2, parede única de 1,2, retração de 5 milímetros a 35 milímetros por segundo, deslocamento a 180, distância mínima de retração de 0,8 e ventoinha em 50 por cento.

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III  Análise de Margem

40 minutos de bisturi na conta

A mesa de 12 tem uma conta curta e ela cabe em cinco linhas.

Filamento: 47 gramas a 132 reais o quilo, ou 6,20 por peça
Máquina: 6 horas e 40 minutos na mesa, 33 minutos por unidade, 1,65 por peça
Embalagem: caixa, papel e etiqueta, 2,10 por peça
Bancada: 14 minutos por mesa entre conferência e embalagem, 0,58 por peça
Custo total: 10,53 por peça, contra 39 reais de venda

Com as 12 limpas, cada unidade deixa 28,47 e a mesa cheia deixa 341,64. É o número que a mesa de 235 graus entregou, sem bisturi e sem segunda passada.

A mesa quente entregou as mesmas 12 peças, e é por isso que a perda passa despercebida na planilha. Nenhum vaso virou lixo: 10 foram vendidos como primeira linha e 2 desceram para segunda linha a 22 reais por causa da marca de lâmina.

Os 40 minutos de bisturi são o custo escondido. Na hora de bancada a 42 reais, a limpeza custou 28 reais, ou 2,33 a mais por peça da mesa inteira.

As duas peças rebaixadas cobram o resto. Cada uma deixou de render 28,47 e passou a render 11,47, o que tira 34 reais da mesa.

Somando os dois lançamentos, a mesa quente fecha em 279,64 contra 341,64. São 62 reais de margem que sumiram sem nenhum vaso quebrado e sem nenhuma reclamação de cliente.

A economia de tempo que motivou o bico quente vale menos que o troco. Rodar a 245 graus em vez de 235 não muda o tempo de mesa, porque a velocidade é a mesma, e o gasto de energia do aquecedor sobe menos de 1 centavo por mesa.

O prejuízo que não entra na planilha mora depois da entrega. Vaso translúcido guarda a marca do bisturi contra a luz da vitrine, e loja de decoração que recebe peça retocada devolve o pedido inteiro em vez de separar as boas.

Três limites honestos fecham a conta. O primeiro é o carretel: cada fabricante de PETG tem sua janela, e um âmbar translúcido de outra marca pode fechar a 240 em vez de 235.

O segundo é a peça. Vaso de parede única com 14 vazios é o pior caso possível de travessia, e um bloco maciço ou uma peça de ilha única quase não muda de resultado entre os dois perfis.

O terceiro é a extrusora. Retração de 5 milímetros é número de bowden, e repetir esse recuo numa extrusora direta mói o filamento na engrenagem e entope o canal no meio do lote.

"Você já rodou a torre de temperatura com o carretel que está na máquina agora, ou está usando o número que copiou do PLA?"

 
 
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Na mesa impressa com o bico a 245 graus e retração de 3 milímetros, quantos dos 12 vasos saíram reprovados de saída por fio de teia?

A4 vasos
B6 vasos
C8 vasos
D12 vasos

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