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A frase que arranca lasca da chapa cabe em seis palavras: "PETG gruda sozinho, dispensa cola bastão". Quem acredita nela espera a mesa esfriar, flexiona a chapa e vê a peça sair carregando um pedaço brilhante da mesa colado no fundo.
A PEI lisa, sigla de polieterimida, é a folha cor de âmbar colada sobre a chapa de aço flexível que acompanha muita impressora de fábrica. Com PLA ela solta a peça sozinha quando esfria. Com PETG (o poliéster glicolizado que aguenta calor e pancada), a química muda: os dois plásticos se ligam com força demais, e na hora de soltar quem cede é a mesa.
A lasca não avisa. A peça parece presa normalmente, a chapa verga, sai um estalo seco e o fundo da peça aparece espelhado, com uma tira de PEI no formato do contorno da primeira camada. Na chapa fica uma cratera fosca onde nenhuma peça volta a grudar direito.
A bancada perdeu duas chapas assim antes de medir. Depois montou o teste: seis suportes de parede em PETG preto, três impressos direto na PEI lisa limpa com álcool isopropílico, três sobre uma demão fina de cola bastão comum, dessas de papelaria. Mesma impressora, mesmo rolo, mesma temperatura, mesmo arquivo fatiado.
A remoção seguiu uma regra só: esperar a mesa cair abaixo de 35 graus, flexionar a chapa uma vez e anotar o que saía. Nada de espátula, nada de congelador, nenhum truque de fórum.
As três peças sem cola saíram com lasca. As três com cola soltaram num estalo limpo, e a camada esbranquiçada que ficou no fundo saiu na água da torneira em meio minuto.
O primeiro suporte do lote explica por que a cola, que parece servir para prender, trabalhou como desmoldante (a película que separa a peça do molde, como a manteiga na forma de bolo).
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I Projeto da Semana
I, Seis suportes, três lascas na chapa
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O projeto é o Suporte Duplo de Controle, peça de parede que segura dois controles de videogame lado a lado: 148 milímetros de largura, 62 de profundidade e uma base plana de 148 por 40 milímetros deitada na mesa. Cada um pesa 38 gramas em PETG preto, com 3 paredes e 20 por cento de preenchimento em grade.
A base plana grande é o ponto fraco do teste. Quanto mais área de primeira camada, mais superfície de ligação entre peça e chapa, e 59 centímetros quadrados de PETG esmagado contra a PEI a 80 graus formam uma solda fraca, porém larga.
As três peças impressas direto na PEI lisa arrancaram lasca, uma de 4 milímetros, uma de 11 e uma de 23 milímetros de comprimento, sempre no canto da base, onde a flexão da chapa concentra a força. Os três suportes sobre cola bastão soltaram com a chapa vergada uma única vez, sem marca na mesa e sem marca na peça.
A explicação está na temperatura da primeira camada. O PETG sai do bico perto de 240 graus e encontra a PEI a 80; nessa faixa as duas superfícies amolecem por um instante e se prendem numa ligação que resiste mais que a própria colagem da folha de PEI sobre o aço. Na remoção, a fratura procura o elo mais fraco, e o elo mais fraco é a folha da mesa.
Mesa fria não salva. Com PLA, esfriar ajuda porque o plástico encolhe mais que o aço e se descola sozinho. O PETG encolhe menos ao esfriar, continua agarrado, e a chapa fria perde a elasticidade que tinha quente, então a força da flexão vai inteira para a interface.
A cola bastão de papelaria tem como base o PVP (polivinilpirrolidona, o polímero solúvel em água que dá liga ao bastão). Ela deixa uma película finíssima entre as duas superfícies. O PETG gruda na película, a película gruda na PEI, e nenhuma dessas duas ligações tem força para arrancar a folha. Na remoção, a película se rompe por dentro e vira camada de sacrifício.
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A PETG adere com força excessiva à chapa de PEI lisa; use uma camada de cola bastão como separador, ou a peça pode danificar a superfície na remoção.
Prusa Research, manual da chapa de aço com PEI lisa da Original Prusa i3 MK3, 2018
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O terceiro suporte com cola saiu com um canto da base levantado meio milímetro. A causa apareceu na chapa: a demão naquele canto estava grossa, com grumos, e o PETG assentou sobre relevo. Nos outros dois, a cola foi espalhada com pano úmido até sumir o brilho, e a base saiu plana.
As lascas não tiveram conserto na oficina. A bancada lixou a borda de uma cratera com grana 1000 e o PLA voltou a grudar na região, mas o PETG passou a descolar dali durante a impressão. Reaplicar folha nova de PEI ficou fora do teste: o kit custa quase o preço da chapa e exige colagem sem bolha, que a oficina não garante.
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II Configurações Recomendadas
II, Demão fina, mesa a 75 graus
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Com a cola em demão fina, mesa a 75 graus e primeira camada 0,05 milímetro mais alta que no PLA, os três suportes grudaram firme durante as quase duas horas de impressão e soltaram da chapa flexionada abaixo de 35 graus, sem espátula. Nenhum deles deixou resíduo que exigisse mais que água corrente.
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O ajuste que mais pesa depois da cola é o z-offset (a distância do bico à mesa na primeira camada). Primeira camada esmagada demais aumenta a área real de contato e empurra o PETG para dentro dos poros da película. Subir 0,05 milímetro deixa o filete redondo por baixo, preso o bastante para a peça não descolar e solto o bastante para a remoção.
Cinco passos da remoção limpa
Primeiro, limpe a PEI com álcool isopropílico e deixe secar. Gordura de dedo por baixo da cola cria ilhas sem película, e é justamente nelas que a lasca começa.
Segundo, passe a cola bastão em faixas cruzadas só na área da base, com uma margem de 1 centímetro. Depois espalhe com pano úmido até o brilho sumir; a demão certa é quase invisível.
Terceiro, baixe a mesa de 80 para 75 graus. O PETG continua grudado com folga nessa temperatura, e a ligação com a película fica menos agressiva no canto da base.
Quarto, suba o z-offset em 0,05 milímetro em relação ao perfil de PLA. Se a primeira camada sair com linhas separadas e frestas, volte 0,02; se sair lisa como vidro, está esmagada.
Quinto, espere a mesa passar abaixo de 35 graus, tire a chapa e flexione uma vez, devagar, pelo lado oposto ao canto maior da peça. Se ela não soltar na primeira flexão, pare e reaplique água morna no fundo, sem forçar a segunda.
A limpeza entra na rotina. A cola acumulada depois de umas dez impressões vira crosta, e crosta tem relevo. Uma vez por semana a chapa vai para a pia com água morna e detergente neutro, seca com papel e volta com demão nova.
A chapa texturizada, de pó de PEI sinterizado sobre o aço, dispensa a cola porque o relevo reduz a área real de contato. Ela deixa o fundo da peça granulado, e no suporte de controle o fundo encosta na parede, então a bancada reservou a texturizada para PETG e a lisa para PLA e peças de fundo à mostra.
Configuração fechada do lote com cola: PETG a 240 graus, mesa a 75, camada de 0,2 e primeira camada de 0,28, z-offset 0,05 acima do perfil de PLA, bico de 0,4, 3 paredes, 20 por cento de preenchimento em grade, ventilação de 30 por cento da terceira camada em diante, cola bastão em demão fina só sob a base e remoção abaixo de 35 graus.
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